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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mulher de Fases... Mulher de Lua...

Mulher é lua, tem fase. Incha, fica plena, regozija depois murcha e diminui. Muda a forma: escurece, emagrece, emudece, quase desaparece.
Um dia, invadida pelo calor solar, volta aos poucos a inchar.

Tenho fase de alegria
colorida como fantasia
onde o riso brota fácil sem regar
tudo vai e vem
em pacote envolto em linda fita.

Tenho outra porém
de tristeza infinita
dura seca escura maldita
lágrimas rolam
feito folhas no outono
e me vejo sozinha
no amargo abandono.

É mais fácil falar de tudo isso quando se está no quarto-crescente porque é aí mesmo, é nesse lugar que a gente pode perceber uma nesga da realidade, um vislumbrar da sanidade.

Pois agora, na fase ascendente, percebo ainda melhor que não são os grandes acontecimentos que vêm nos resgatar da escuridão da dor, do breu da solidão.
São coisas prosaicas: pequenos sorrisos que só arqueiam os cantos da boca, a mão que se estende e os braços que se abrem no gesto que te aconchega, que oferece conforto, que alivia tanto a descida quanto a subida. É o brilho intenso do olhar que vem certeiro na tua direção, a palavra quase dita, o telefonema inesperado, o doar-se, o oferecer de si mesmo, um pedacinho que seja, que dão o impulso para o passar de fase.

É cada pequeno gesto
percebido reconhecido recebido
que me ajuda a recolher
os fragmentos da fase vazia
que me deixa contente
e me faz de novo gente.

Por Maria Lucia Solla

2 comentários:

malu disse...

Ângela,

passeando pelas alamedas da internet, me achei aqui no seu blog, e me senti acolhida.

Beijo,
ml

malu disse...

Ângela,

passeando pelas alamedas da internet, me achei aqui no seu blog, e me senti acolhida.

Beijo,
ml