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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Afinal, qual é A Terceira Margem do Rio?

Pode ser a Canoa... Que foi construída com características de um objeto duradouro. Existe no conto, uma intertextualidade com a história bíblica da Arca de Noé. A diferença é que as águas levaram a grande embarcação para longe, enquanto a pequena canoa era conduzida "rio abaixo, rio a fora, rio adentro", desaparecia mas nunca se distanciava. O rio tinha a margem direita e a esquerda, a terceira, era determinada pela canoa, passando o pai do narrador- personagem a habitar a Terceira Margem do Rio.

Pode ser a Eternidade. De acordo com Guimarães Rosa, "as pessoas não morrem, ficam encantadas". Como a temática do conto é a loucura e possui caráter transcendental, o pai do narrador-personagem poderia está morto e vivo no inconsciente do filho.
Quando ele por fim consegue se comunicar com o pai e propõe a troca de lugar, a qual é aceita, o filho treme de medo, por pavor os cabelos arrepiam e ele foge da pessoa que mais amava. "[...] Porquanto que ele me pareceu vir: da parte do além[...]", afirma o filho.

O rio sempre teve destaque na imaginação do poeta Modernista: "Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: a eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar a eternidade" (Guimarães Rosa)

O Desconhecido. A Terceira Margem do Rio pode ser aquilo que não se vê, que não se toca, que se conhece.
O pai, através do isolamento, busca respostas dentro de si. Distante de tudo e de todos, ele procura entender os mistérios da alma, o incompreensível da vida. O narrador-personagem questiona a existência humana.
Metaforicamente, o conto aborda a origem, o destino e a travessia, a necessidade de encarar as águas da vida.

E para você? Qual seria a Terceira Margem do rio?

Um comentário:

Keilla Cristina disse...

Lindo texto!!! Adorei!